sábado, agosto 21, 2010

Diário de um fora: Dia 2.

Ela acorda. A casa está vazia e triste. Ela pensa no quanto está sozinha, no quanto o quer aqui e agora. Ela lembra que não pode ter isso e que precisa fazer o máximo para superar. Ela decide ouvir um rock, arrumar o quarto, comprar um peixe, plantar uma planta, fazer feira, cozinhar um almoço, lavar as louças, escrever um artigo científico, entrar pra academia, visitar todas as amigas, pintar o cabelo, mudar todo o orkut, fazer uma torta, beber um vinho, esquecer o celular e curtir a solidão.

Diário de um fora: Dia 1.


Ele diz: Não é você, sou eu. Tenho estado com você nos últimos dias sem querer estar, tentando fugir.
Ela diz: Coitado de você, vivendo nessa tristeza toda só pra tentar me fazer feliz?
Ela pensa: Desgraçado. Terminasse comigo antes que se sentisse triste, quando eu ainda estava triste. Antes de eu me apaixonar tanto por você.
Ele diz: Preciso ficar sozinho para organizar minha vida. Colocar tudo no eixo.
Ela diz: Tem certeza disso? Acho que tudo pode ser superado.
Ela pensa: Principalmente se você largar a outra, que eu tenho certeza que você tem, e dedicar o seu tempo pra mim.
Ele diz: Tenho sim.
Ela diz: Tudo bem, vamos aprender a ser solteiros novamente.
Ela pensa: E, agora? O que eu vou fazer da minha vida? Não quero ficar sozinha, não quero, não quero. Volta pra mim, por favor. Não faça isso. Te amo tanto. Não me largue.
Ele diz: Tchau.
Ela diz: Tchau.

Até então, sem uma única lágrima derramada, ela entra pelo portão e se debulha em lágrimas. Procura a cama mais próxima na casa e deseja dormir pensando que tudo aquilo não é verdade.

segunda-feira, maio 31, 2010

E no dia do meu aniversário:
- Nossa, amor, que fillhotinho lindo! É pra mim mesmo?
- É sim, meu bem. Pra te fazer companhia.
- Pra me fazer companhia? Você quer que eu tenha um cachorro pra não ter tempo de saber onde você está ou o que você está fazendo! Isso é uma desculpa pra fugir de mim! Certeza que o cachorro é vira-lata.
- Vou levar o cão embora e te dar um papagaio, só precisa dar semente.
- Acho bom mesmo, assim ele pode repetir suas conversas no telefone com as cachorras.
- Tá. Depois volto com a sua gaiola.
... oO


quarta-feira, maio 26, 2010

No consultório médico:
- Paranóica, agora nós vamos te examinar, tudo bem? Pode deitar na maca.
...e no decorrer do exame:
- Doutor, por que essa palpação abdominal com as mãos superpostas? Por acaso você está me chamando de gorda? Obesa? Hein? Não sou boa o suficiente pro seu consultório chique e pra sua consulta cara?
- Como assim?
- Já era. Agora eu exijo sibutramina, anfetamina e um prozac pra me livrar do trauma.

terça-feira, maio 18, 2010

...e no fim de semana:
- Meu amor, amanhã a gente vai se ver um pouco mais tarde, tá?
- Como assim? Por quê?
- Marquei um programa com meus amigos.
- Um programa com pessoas de programa envolvidas, é?
- Só sinuca, playstation, poker e cerveja.
- Certeza que você quer dar um hadouken em mim pra encaçapar uma mulher bêbada e me largar mais rápido que um flash! Confessa!
- Te pego às dez e meia, beijo.
- Beijo, amor.
...e num dia desses, um número estranho me liga:
- Meu bem, meu celular quebrou. Eu te ligo amanhã, viu?
- Quebrou, é? Como assim? Certeza que você resolveu deixar ele desligado só pra que eu não consiga falar com você, assim você pode ir pra farra sem preocupação. Pode dizer! Foi isso que aconteceu, né? Você tem outra, ou melhor, várias!
- Meu bem, eu te ligo amanhã, tá? Te amo.
- Viu... também te amo. Um beijo.

Um dia me disseram:
- Nossa, você é muito chiclete.
- Como assim? Você me acha grudenta?
- Não, mas espero que não me dê cáries depois de comer várias vezes.
- Ah, tá. Assim tudo bem. Também te amo.